Design de interiores entre gênero, corporeidade e resistência: a margem como espaço epistêmico
DOI:
https://doi.org/10.35522/eed.v33i3.2224Palavras-chave:
design de interiores, gênero, interioridade, epistemologia, marginalidadeResumo
O design de interiores ocupa um espaço marginal dentro dos campos do design e da arquitetura, sendo frequentemente associado ao doméstico, ao decorativo e ao subjetivo, categorias historicamente vinculadas ao universo feminino e desvalorizadas nos discursos acadêmicos e científicos hegemônicos. O presente artigo propõe uma crítica epistemológica a essa marginalização, a partir da leitura do ensaio Choosing the margin as a space of radical openness, de Bell Hooks (1989). Com base em perspectivas teóricas feministas e pós-estruturalistas, argumenta-se, neste artigo, que as características atribuídas ao gênero feminino, tais como a relacionalidade e a atenção às experiências sensíveis e subjetivas, podem ser apropriadas como fundamentos de uma epistemologia alternativa e crítica para o campo. Em vez de buscar legitimidade por aproximação com saberes dominantes, propõe-se que o design de interiores afirme sua distinção como potência, operando a partir da interioridade, da experiência e da corporeidade, modos legítimos de conhecimento e prática.Downloads
Referências
ATTIWILL, S. A New Image for Interior and Interiority. In: BROOKER, G. et al. (org.). Interior Futures. California: Crucible Press, 2019.
BUTLER, J. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Tradução de Renato Aguiar. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018.
FRANCK, K. A. A Feminist approach to architecture: Acknowledging women’s ways of knowing. In: RENDELL, B. et al. (org.). Gender Space Architecture. London: Routledge, 2000.
HAVENHAND, L. A view from the margin: interior design. Design Issues, Cambridge, v. 20, n. 4, p. 32-42, outono 2004.
HAVENHAND, L. A re-view from the margin: interior design. Design Issues, Cambridge, v. 35, n. 1, p. 67-72, inverno 2019.
HOOKS, B. Choosing the margin as a space of radical openness. In: HOOKS, B. Talking back: thinking feminist, thinking black. Boston: South End Press, 1989.
MALTA, M. Por dentro da história: composições de interiores a partir da arte decorativa. In: GEOFFROY, N. et al. (org.). Interiores 50 anos: celebração e resistência. Rio de Janeiro: Rio Books, 2023. p. 24-41.
RAGO, M. A aventura de contar-se: feminismos, escrita de si e invenções da subjetividade. Campinas: Editora da Unicamp, 2013.
RANGEL, G. Desafios do design de interiores: o permanente exercício da empatia. In: GEOFFROY, N. et al. (org.). Interiores 50 anos: celebração e resistência. Rio de Janeiro: Rio Books, 2023. p. 116-125.
SANTOS, V. et al. Ensino e prática do design de interiores no Brasil: Influências nacionais e internacionais. In: HERNANDEZ, M. H. (org.). Encontros e conexões em design de interiores e ambientes. Salvador: EDUFBA, 2020. p. 13-39.
SPIVAK, G. C. Pode o subalterno falar? Belo Horizonte: Editora UFMG, 2018.
ZACAR, C.; SANTOS, M. O design de interiores como prótese de gênero: um estudo sobre ambientes projetados para casais e para crianças. Estudos em Design, Rio de Janeiro, v. 28, n. 3, p. 142-155, 2020.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
- Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a licença Creative Commons Atribuição - NãoComercial 4.0 Internacional que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
- Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
- Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre).
